
As coisas simples dizem-se depressa;
tão depressa que nem conseguimos que as ouçam.
As coisas simples murmuram-se;
um murmúrio tão baixo que não chega aos ouvidos de ninguém.
As coisas simples escorrem pela prateleira
da loja; tão ao de leve que ninguém as compra.
As coisas simples flutuam com o vento;
tão alto, que não se vêm.
São assim as coisas simples:
tão simples como o sol que bate nos teus olhos,
para que os feches, e as coisas simples passem
como sombra sobre as tuas pálpebras.
(Nuno Júdice)
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